Como ser comissário de bordo em Portugal
Thursday, July 9, 2026
Podes tornar-te comissário de bordo em Portugal através de um curso de formação certificado, de um programa de formação interno de uma companhia aérea ou candidatando-te diretamente sem experiência prévia no setor. Os requisitos de base são os mesmos em qualquer dos casos: ter pelo menos 18 anos, o direito a trabalhar em Portugal, e obter o CCA (Cabin Crew Attestation) — a certificação europeia obrigatória para exercer a profissão. Mas as companhias aéreas olham muito além dos critérios mínimos — a concorrência é elevada, e uma boa preparação faz toda a diferença. Aqui tens tudo o que precisas de saber.
O que faz realmente um comissário de bordo?
A função tem várias designações: comissário de bordo, tripulante de cabine, assistente de bordo, hostess. Independentemente do título, a tua principal responsabilidade é a segurança de todos os passageiros a bordo. O serviço ao passageiro é igualmente central, ainda que seja muitas vezes esse o lado que os viajantes mais percebem.
As tarefas diárias dividem-se em três fases:
Antes do voo:
- Participar no briefing sobre a rota, a tripulação e os procedimentos do dia
- Verificar os equipamentos de segurança e os abastecimentos a bordo
- Receber os passageiros e verificar os documentos
- Realizar as demonstrações de segurança e procedimentos de emergência
Durante o voo:
- Responder aos pedidos dos passageiros e garantir o seu conforto
- Servir refeições e bebidas, gerir necessidades alimentares específicas, vender artigos duty-free
- Fazer os anúncios a bordo
- Prestar primeiros socorros e gerir situações de emergência com calma e profissionalismo
Após a aterragem:
- Assegurar que os passageiros desembarcam em segurança com toda a sua bagagem
- Preencher o relatório de voo e registar eventuais incidentes
Tens os requisitos?
As companhias aéreas portuguesas definem os seus próprios critérios, mas existem padrões comuns a toda a indústria.
Idade, aptidão física e requisitos morfológicos
Tens de ter pelo menos 18 anos à data da candidatura ou do início da formação. A maioria das companhias exige uma altura mínima média de 1,60 m e máxima de 1,90 m, com peso proporcional à altura avaliado com base no IMC (Índice de Massa Corporal).
Terás de:
- Realizar uma avaliação médica de aptidão aeronáutica reconhecida pela EASA
- Saber nadar pelo menos 25 metros sem auxílio de flutuadores
- Apresentar um registo criminal limpo e ser sujeito a controlo de antecedentes
- Estar disponível para realizar testes de despistagem de drogas e álcool
A maioria das companhias não permite tatuagens visíveis nem piercings que não possam ser cobertos discretamente pelo uniforme.
Autorização de trabalho e documentos de viagem
Tens de estar legalmente autorizado a viver e trabalhar em Portugal sem restrições. Precisas também de um passaporteválido que te permita viajar para todos os destinos operados pela companhia, sem restrições de entrada.
A maioria das companhias exige ainda que residas a menos de 90 minutos do teu aeroporto base e que estejas disponível para iniciar serviço a qualquer hora, em regime 24/7.
Línguas e habilitações
Um bom domínio do português e do inglês (leitura, escrita e conversação) é um requisito fixo em praticamente todas as companhias aéreas. O nível mínimo de habilitações é o 12.º ano ou equivalente reconhecido pelo Ministério da Educação Português. O domínio de uma terceira língua estrangeira é um elemento diferenciador concreto, especialmente para companhias com rotas internacionais ou de longo curso.

Três caminhos para entrar na cabine
1. Cursos de formação certificados
Podes obter o CCA (Cabin Crew Attestation) — emitido em Portugal exclusivamente pela ANAC (Autoridade Nacional de Aviação Civil), em conformidade com o Regulamento EASA — através de um organismo de formação certificado. O CCA é indispensável para exercer como tripulante de cabine na Europa e é reconhecido pela generalidade das companhias aéreas europeias.
Institutos como a IFA oferecem cursos diurnos de 3 semanas e cursos pós-laborais de 6 a 7 semanas, disponíveis em Lisboa, Cascais e Porto, com valores a partir de 1.190 €. Os programas incluem formação teórica e prática, com simulações de evacuação, treino em sobrevivência aquática e primeiros socorros.
2. Formação interna da companhia aérea
Algumas companhias, como a TAP Air Portugal, oferecem formação interna após seleção. O curso é, nestes casos, disponibilizado pela própria companhia após a análise dos pré-requisitos e uma entrevista formal. Dependendo da companhia, a formação pode ser remunerada através de uma ajuda de custo ou ter custos para o candidato. A duração situa-se tipicamente entre os 5 e os 6 meses para programas completos de integração.
3. Candidatura direta às companhias aéreas
Muitos candidatos concorrem diretamente às companhias sem qualificação prévia específica no setor. Companhias como a TAP Air Portugal, Ryanair, easyJet e Vueling recrutam regularmente, cada uma com os seus próprios critérios.
Um processo de seleção típico funciona assim:
- Candidatura online com CV e questões de pré-seleção
- Testes online de julgamento situacional e perfil de personalidade
- Open day ou assessment day (presencial ou online), com exercícios de grupo e entrevista individual
- Visita médica de aptidão aeronáutica
Algumas companhias preveem várias fases de seleção. Uma boa preparação em cada etapa é determinante.
Que competências procuram as companhias aéreas?
Para além dos requisitos físicos, as companhias procuram pessoas que saibam genuinamente lidar com pessoas e manter a calma sob pressão. As qualidades mais valorizadas pelos recrutadores são:
- Forte orientação para o serviço ao cliente
- Comunicação verbal clara e segura
- Capacidade de trabalhar em equipa
- Resistência e sangue-frio em situações de stress
- Flexibilidade para horários irregulares, incluindo noites, fins de semana e feriados
Experiência numa função de contacto com o público — restauração, turismo, comércio, apoio a pessoas — é sistematicamente valorizada, mesmo quando não é um requisito formal.
Quanto ganha um comissário de bordo em Portugal?
Segundo dados da Eco citados pela Randstad, o salário de um comissário de bordo em Portugal situa-se entre 1.500 € e 2.115 € por mês, variando consoante a companhia, o tipo de voo e a experiência acumulada. Os tripulantes em voos de longo curso recebem habitualmente uma remuneração mais elevada. A remuneração pode ainda ser complementada por subsídio de alimentação, horas extra e bónus anuais, dependendo da companhia.
Como funciona a formação para tripulante de cabine?
Depois de contratado, é necessária uma formação de tipo específico para a aeronave em que vais operar, ministrada pela companhia. Esta formação é adicional ao CCA e cobre os procedimentos específicos de segurança e emergência do equipamento da companhia. A duração varia consoante o modelo de avião e a companhia, e inclui provas teóricas e práticas que tens de superar antes do primeiro voo.
A recertificação periódica é obrigatória — a formação contínua é uma componente permanente da profissão.
Dicas para te destacares no processo de seleção
- Pesquisa bem a companhia antes de cada fase. Os recrutadores percebem quando há um conhecimento genuíno da marca e das rotas.
- Destaca no CV as tuas experiências de contacto com o público, mesmo fora da aviação.
- Prepara-te para os testes de julgamento situacional — são frequentemente o primeiro filtro e têm um formato específico que vale a pena conhecer antecipadamente.
- Prepara exemplos concretos de situações difíceis ou de pressão que geres com calma e profissionalismo.
- Apresenta-te aos open days e assessment days com uma imagem cuidada. As companhias avaliam a tua apresentação desde o primeiro momento.
- Em caso de não seleção: muitas companhias exigem um período de espera de seis meses antes de poderes recandidatar-te ao mesmo papel. Usa esse tempo para reforçar as áreas identificadas como mais fracas.
Perguntas frequentes
Preciso de um diploma específico para ser comissário de bordo em Portugal?
Não. O requisito mínimo de habilitações é o 12.º ano ou equivalente reconhecido. A certificação essencial para exercer a profissão é o CCA (Cabin Crew Attestation), emitido pela ANAC em conformidade com a regulamentação EASA. Os cursos preparatórios privados podem reforçar a candidatura, mas não são obrigatórios e não garantem uma oferta de emprego.
Quanto tempo dura a formação para tripulante de cabine?
Os cursos CCA em institutos certificados duram entre 3 semanas (diurno) e 7 semanas (pós-laboral). A formação interna de tipo específico ministrada pela companhia após a contratação tem uma duração variável. Em programas mais completos de integração, a duração total pode atingir os 5 a 6 meses.
Qual é a idade mínima para ser comissário de bordo?
Tens de ter pelo menos 18 anos à data da candidatura ou do início da formação. Não existe limite máximo de idade definido por lei, desde que satisfaças os requisitos físicos e médicos exigidos pela companhia a que te candidatas.
Posso ser tripulante de cabine se tiver tatuagens?
A maioria das companhias não permite tatuagens visíveis que não possam ser cobertas discretamente pelo uniforme durante o serviço. Os requisitos variam entre companhias — verifica sempre as normas específicas de imagem e uniforme antes de te candidatares.
O que acontece se a minha candidatura não for bem-sucedida?
Muitas companhias exigem um período de espera de seis meses antes de poderes recandidatar-te ao mesmo papel. Se não avançares num processo de seleção, usa esse tempo para trabalhar os pontos identificados como mais fracos e aperfeiçoar a tua preparação para a próxima campanha de recrutamento.
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